sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O Poder do silêncio

Quando a gente fala  da lei do silêncio a gente pensa que é simplesmente  ficar calado, que é não falar não emitir sons. Uma vez eu ouvi uma palestra que discursava sobre os trabalhos de hércules e ela dizia que o silêncio é também falar corretamente. A palestrante dizia que a  palavra e o silêncio na verdade podem ser uma coisa só. 

A gente pode falar silenciosamente a gente pode silenciosamente falar. (captou...rsrs)


E isso vai acontecer quando essa palavra esse som esse silencio, estiverem imbuídos da energia interior, e aprofundando no silêncio, encontramos também o silêncio das emoções, o silêncio dos pensamentos, o silêncio dos julgamentos, o silencio das nossas ações, o silêncio a cerca do que pensamos sobre nós mesmos, e do silêncio de emitir opiniões acerca de tudo e de todos, queremos de alguma forma com essas "opiniões" impor nossas vontades e fazer o outro engolir  como vemos o mundo a vida. 

E é incrível como sempre sempre...encontramos aqueles amigos, que não são terapeutas, mas agem como se fossem, emitindo sempre uma opinião sobre tudo, que sempre sempre sempre tem algo a dizer para gente, mesmo quando não precisamos, quando não pedimos.

Quando a pessoa é um entendido do assunto, é um terapeuta, é um psicologo, ou simplesmente tem a sensibilidade de perceber e sentir a alma do outro, ela sabe que no silêncio também se diz tudo. Ela silenciosamente diz tudo.

Então tudo fazemos de acordo com a nossa lente, com nossas réguas e medidas. Tudo a gente tenta fazer com a nossa identidade. E a palestrante dizia que nesse momento o trabalho com o silêncio é o de estarmos totalmente despojados de nós mesmos. de estarmos libertos de nós mesmos, sem a arrogância e o autoritarismo de estarmos fazendo com que aquilo que achamos da vida tenha que ser manifestado.

Ai podemos pensar: 

Peraí...mas eu estou falando pq eu acho??? ou você pode estar falando para ser simplesmente reconhecido. Você pode estar falando para ser notado. Ou você pode estar falando pra ser amado. Não é fácil perceber... pois em tudo a gente constrói uma teoria, e tomamos posse, tomamos posse inclusive das coisas evoluídas, da área que estamos servindo. Não quero dizer com isso que devemos nos despojar de tudo e aniquilarmos o nosso Eu. Não é isso, é apenas observar... e não nós deixarmos levar pelo egoismo, pelo autoritarismo, e pela posse das coisas e inclusive da posse sobre o outro. 

Não é fácil perceber isso, é bem sutil...

Fontes: 
-Os Doze trabalhos de Hércules - palestras trigueirinho - figueira
-Os Doze trabalhos de Hércules - palestras Heloisa e Mauricio - Figueira
-O Poder do Silêncio - Trigueirinho 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Bilhete - Mário Quintana

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Enfim, tem de ser bem devagarinho
Amada, que a vida é breve
E o amor mais breve ainda...

(Mário Quintana)





Foto: Getty revista veja


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ostra feliz não faz pérola - Rubens Alves

As pessoas felizes não produzem pérolas, hoje vivemos sob a égide de que somos obrigados a sermos felizes sempre. Claro que existem sofrimentos naturais, como doenças, decepções amorosas etc... mas  existem também outras dores e sofrimentos que surgem da alma, artista como Bethoven, Van Gogh, Cecília Meireles, Fernando Pessoa, músicos e poetas com um tempo também desenvolveram e criaram suas próprias perolas, para serem mais fortes, que a dor causada tanto por um grão de areia , como também as dores  que surgem da própria alma.

Segue a estória...

Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário. Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste. 


As ostras felizes se riam dela e diziam: “Ela não sai da sua depressão...”. Não era depressão. Era dor. Pois
um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor. O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de suas aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava seu canto triste, o seu corpo fazia o trabalho – por causa da dor que o grão de areia lhe causava

Um dia, passou por ali um pescador com o seu barco. Lançou a rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-as para casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro de uma ostra. Ele o tomou nos dedos e sorriu de felicidade: era uma pérola, uma linda pérola. 

Apenas a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele a tomou e deu-a de presente para a sua esposa. Isso é verdade para as ostras. E é verdade para os seres humanos. No seu ensaio sobre O nascimento da tragédia grega a partir do espírito da música, Nietzsche observou que os gregos, por oposição aos cristãos, levavam a tragédia a sério. Tragédia era tragédia. Não existia para eles, como existia para os cristãos, um céu onde a tragédia seria transformada em comédia. 

Ele se perguntou então das razões por que os gregos, sendo dominados por esse sentimento trágico da vida, não sucumbiram ao pessimismo. A resposta que encontrou foi a mesma da ostra que faz uma pérola: eles não se entregaram ao pessimismo porque foram capazes de transformar a tragédia em beleza. A beleza não elimina a tragédia, mas a torna suportável. A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado. Ela se basta. Mas ela não cria. Não produz pérolas. São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer. 

Ostra feliz não faz pérola: Rubem Alves; Pág. 09

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Sutilezas - Rumi

" Atenta para as sutilezas que não se dão em palavras
Compreende o que não se deixa capturar pelo entendimento"

(Jalal ad-Din Muhammad Rumi)



domingo, 22 de fevereiro de 2015

sábado, 21 de fevereiro de 2015